Durante o século VI, os muçulmanos herdaram a tradição e o conhecimento científico da antiguidade. Preservaram, elaboraram, fizeram uma releitura   e, finalmente, passaram-na para a Europa. Foi nessa época que a Dinastia Omíada manifestou o seu interesse pela ciência. Foi o século que para os muçulmanos correspondeu às luzes da filosofia, da descoberta científica e  do desenvolvimento, enquanto que a Europa mergulhava no que se convencionou chamar a Idade das Trevas. Os árabes desse tempo assimilaram o conhecimento persa e a herança clássica dos gregos, adaptando-os  às suas próprias necessidades e formas de pensamento.

Pela primeira vez na história da humanidade, a teologia, a filosofia e a ciência puderam ser  harmonizadas em um todo unificado, graças à capacidade islâmica de conciliar o monoteísmo com as provas da ciência, ou mais adequadamente,   a fé com a razão.   Talvez, um dos motivos  que pode explicar esse desenvolvimento da ciência seja o mandamento de Deus para que as leis da natureza sejam exploradas.   A  ideia é admirar  a criação pela sua complexidade, admirar o Criador pela sua habilidade. Talvez  por causa dessa crença é que as contribuições do Islam para a ciência alcançaram os diversos ramos do pensamento, inclusive a matemática, a astronomia, a medicina e a filosofia.

As culturas  persa e  hindu tornaram-se parte da herança islâmica no campo da Matemática. No século VII, durante a existência do Profeta, um matemático muçulmano indiano desenvolveu o símbolo "zero", que viria a revolucionar o estudo da matemática e tornar possível as grandes conquistas nesse campo, não só muçulmanas, mas de toda a humanidade.

Palavras como "álgebra" e "algoritmo" foram, na verdade, tiradas do vernáculo arábico e traduzidas para o latim. Foi um matemático muçulmano que formulou, explicitamente,   a função trigonométrica. A palavra "seno" é uma tradução da palavra arábica "jayb". Al-Khwarizmi escreveu o mais antigo livro sobre matemática, conhecido somente na versão traduzida.   Ele apresentou mais de 800 exemplos de cálculo de integração e equação, que viriam a ser adoptados pelos neo-babilônios. Os muçulmanos introduziram os algarismos arábicos na Europa e ensinaram aos ocidentais as convenções mais adequadas ao conceito aritmético. O "zero" e os algarismos arábicos são a base da ciência dos cálculos, conforme é conhecida hoje.

Na primeira metade do sec. IX, os números exponenciais, incluindo o zero, foram usados por Al-Khwarizmi para substituir as letras. Na segunda metade desse mesmo século, os muçulmanos da Espanha desenvolveram numerais ligeiramente diferentes na forma, huruf al-ghubar, originariamente usado em conjunção com um tipo de ábaco de areia.

Leonardo Fibonacci, de Pisa, que havia sido discípulo de um mestre muçulmano, publicou um trabalho que ainda hoje permanece um marco na introdução dos numerais arábicos.

No início do século IX, cálculos matemáticos estimulavam o desejo de repostas para o movimento celeste. Esta curiosidade introduziu um novo campo no conhecimento humano, o da Astronomia. Uma das aplicações mais importantes da Astronomia é o cálculo para o horário das cinco orações diárias, que todo muçulmano faz. Ele é definido de acordo com a posição do sol, movendo-se de leste para oeste. As primeiras tabelas conhecidas, feitas para tal propósito, são datadas do século  X, e são instrumentos importantes usados pelos muçulmanos.

O magnífico relógio do sol, que Ibn Al-Shatir construiu no ano de 1371 para enfeitar o minarete principal da mesquita omíada de Damasco, confirma a exactidão dos cálculos.     O relógio mostra as horas do dia relativas ao nascer do sol, ao meio-dia e ao pôr-do-sol. Há, também, curvas especiais para as horas relativas ao amanhecer e ao anoitecer. O relógio do sol mede o tempo para cada hora das cinco preces diárias.

Ibn Al-Sarraj inventou uma série de astrolábios, quadrantes, grades trigonométricas e outros instrumentos que foram extremamente inovadores na época e que mais tarde foram utilizados pelos europeus quando iniciaram as suas grandes navegações para a descoberta de novos mundos.

Al Khwarizmi, o génio matemático, aplicou as suas descobertas ao novo campo, de onde   ele compôs as mais antigas tabelas planetárias.   Seu trabalho serve de referência e foi traduzido para o latim no século XII, por Gerard de Cremona. O primeiro observatório astronómico foi construído em Jundaysabur, sudoeste da Pérsia, sob a direcção de Sind ibn-'Ali e Yahia ibn-abi-Mansur. Sendo o astrónomo do califa, ele elaborou uma carta dos movimentos celestes. Os astrónomos de Al-Mamun, o califa abássida, fizeram muitas observações originais. Uma das mais notáveis é a medida do meridiano, próximo a Mosul. O objectivo era determinar o tamanho da terra e a sua circunferência, na suposição de que ela fosse redonda.

Na Espanha,   os estudos  sobre Astronomia foram incentivados após a segunda metade do século X.  O sistema aristotélico foi reproduzido, com a representação dos movimentos celestes. Abu al-Qasim Maslamah al-Majriti, de Madrid, o mais antigo astrónomo muçulmano espanhol, editou e corrigiu as tabelas planetárias de Al-Khwarizmi. Entre os títulos de Al-Majriti, estava o de ser al-hisab, isto é,   o matemático, porque ele era considerado o mestre  do conhecimento matemático.

Cerca de catorze anos mais tarde, as tabelas planetárias de al-Battani foram traduzidas para o latim, por Planto de Tivoli. Copérnico, mais tarde, iria  citar Al-Battani no seu livro "De Revolutionibus Orbium Coelestium". Al-Zarqali, o mais notável observador astronómico da sua época, imaginou um tipo de astrolábio que comprova o movimento do apogeu solar em relação às estrelas. Al-Bitruji desenvolveu uma nova teoria do movimento estelar.

Os astrónomos árabes deixaram no céu os traços imortais das suas descobertas. São os nomes de estrelas, incorporadas às línguas europeias, uma  infinidade de termos técnicos,   como azimute (as-sumut), nadir (nazir), zénite (as-samt), todos derivados do árabe, o que só vem comprovar o rico legado do Islão  para a Europa cristã.

Ibn Sina, mais conhecido como Avicena,   recebeu o  título de "Príncipe da Medicina". O seu trabalho mais consagrado é Al-Qanun Fil-Tibb, o " Cânone da Medicina".   Ele é um  dos maiores nomes da  história da Medicina.   Aos dez  anos  conhecia de cor o Alcorão, e aos doze, discutia sobre Direito e Lógica. Ele achava que a medicina era um assunto fácil. "Quando eu estou em dificuldade",   ele disse, "consulto minhas anotações e rezo ao Criador". No seu livro, ele mostrou muitos aspectos da medicina. Classificou as causas e os sintomas das doenças. Dizia que as doenças são causadas por um desequilíbrio das quatro qualidades elementares do corpo: calor, frio, húmido e seco.   Elas são provocadas por uma composição, ou conformação, defeituosa das partes do corpo,   que provocam o trauma. A causa das doenças está ligada ao ambiente e à psicologia. Entre elas, está o tradicional esquema das doenças "não naturais",   oriundas do ar, do excesso ou falta da alimentação e da bebida. O seu livro também discute os cuidados com a conservação da saúde em partes separadas: pediátricas, adultas e geriátricas.

A peste negra assolou a Europa em meados do século XIV, deixando os cristãos desamparados. Enquanto isso, Ibn-al-Khatib, um clínico de Granada, escreveu um tratado, no qual ele elabora uma  defesa sobre a teoria do contágio:

"Para aqueles que dizem como posso admitir a possibilidade de infecção, quando a lei religiosa a nega, respondemos que a existência do contágio é constatada pela experiência,  pela investigação e pela evidência de relatórios confiáveis. Estes constituem argumento sólido. O contágio se torna claro ao investigador, quando observa como ele, que está em contacto com pessoas doentes, pega a doença, ao passo que aquele que não tem o contacto fica a salvo, e como se dá a transmissão através  de roupas e recipientes."

A circulação do sangue e a ideia da quarentena veio da indicação empírica sobre o contágio e foi descoberto por Ibn al-Nafis. Em 943, Ibn Juljul, de Córdoba,   tornou-se um físico famoso com a idade de 24 anos, compilou um livro, que era um tratado especial sobre drogas, encontrado na Andaluzia, na península ibérica. Ibn Masawayh escreveu o mais antigo tratado sobre Oftalmologia. O livro, intitulado al-Ashr Maqalat fi al-'Ayn é o mais antigo texto sobre a matéria. No uso curativo das drogas, alguns avanços fantásticos foram feitos pelos muçulmanos. Eles criaram as primeiras boticas e a mais antiga escola de Farmácia.

O Príncipe da Medicina, Avicena, também foi um filósofo. A Filosofia naquele tempo era definida como o conhecimento da causa verdadeira das coisas. Ele foi o primeiro árabe a criar um sistema filosófico que é completo. De seus estudos iniciais da Lógica ele voltou-se para o estudo da Física e da Metafísica, por sua própria iniciativa. Tornou-se mentor de muitos físicos, e aos dezoitos anos dominava a Lógica, a Física e a Matemática, e não havia nada mais que ele pudesse aprender a não ser concentrar-se na Metafísica. O seu mais importante tratado filosófico é o Kitab al-Shifa, ou o Livro da Cura, conhecido em latim pelo título de Sufficienta. É uma enciclopédia sobre o saber greco-islâmico do século XI, que vai da Lógica à Matemática.

Um  grande patrono da  filosofia e da ciência da História do Islão é o califa Al-Mamun, filho do califa Harun al-Rashid, ele estimulou as discussões na corte sobre Lógica, Direito e Gramática. Construiu em Bagdad a sua famosa Bayt al-Hikmah, a Casa do Conhecimento, uma combinação de biblioteca e academia, e que em muitos aspectos é   uma instituição educacional importante. Esta biblioteca contém livros sobre todos os assuntos, especialmente Ciências Islâmicas, Ciências Naturais, Lógica, Filosofia e muitos outros.

A maior figura na história da filosofia islâmica, e que representa uma reacção ao neo-platonismo, foi Imam al-Ghazali, um jurista, teólogo, filósofo e místico. Ele dizia que o "fiqh" é o pão diário da alma crente, ao passo que a doutrina é  valiosa da  mesma forma que a medicina é para a doença. Também disse que foi tomado pelo desejo da verdade. Resolveu procurar um "certo conhecimento",   além  do qual o objecto conhecido não se abre para  duvidar completamente. Fundamentalmente, Al-Ghazali afirmava seu agnosticismo sobre a natureza absoluta e final de Deus. Esta necessidade de uma certeza religiosa impulsionou Al-Ghazali para o misticismo e remeteu-o à descoberta do conceito alcorânica de Deus, o que mostrou que a natureza de Deus é constituída pelos nomes e atributos divinos.

O primeiro filósofo autêntico a escrever em árabe foi Al-Kindi. Ele está relacionado de muitas formas aos mutazilas e aos filósofos naturais neo-pitagóricos. Foi um homem de extraordinária erudição, que relatou as suas observações como geógrafo, historiador e físico. Kindi foi mais do que um filósofo. Era químico, oculista e teórico musical. A sua influência como autor e professor deu-se, principalmente, nos campos da matemática, geografia e medicina.

A história intelectual dos árabes, com o desenvolvimento da Filosofia e da Ciência no Oriente Próximo,   começa com a ascensão do Islão.   A primeira geração de muçulmanos eruditos dedicou-se completamente ao estabelecimento de um cânone baseado no Alcorão e isto por causa da santidade irresistível do Alcorão e das tradições do Profeta Muhammad. Para os estudiosos muçulmanos, cuja obra é mostrada, o Alcorão é a fonte de todo o conhecimento – a revelação de Deus.

Muitas sugestões foram apresentadas no Alcorão como uma prova da Omnisciência de Deus. Tais sugestões estimularam a curiosidade do homem e provavelmente satisfizeram as suas buscas acerca do conhecimento.

 Com as raízes do conhecimento já estabelecidas, os seus ramos e as suas folhas cresceram em direcção ao avanço tecnológico. Essas raízes não podem ser esquecidas nunca, porque sem uma fundação sólida nenhum pilar pode ser construído e sobreviver.

 A seguir, fazemos referência a algumas personalidades muçulmana relevantes, que deixaram os seus nomes marcados para sempre na história da humanidade, pelo enorme contributo que deram.

História

1. Al-Biruni

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Abu Raihan Muhammad al-Biruni, um sábio persa, foi contemporâneo do grande físico Ibn Sina (Avicena), com quem se correspondia. Com um talento especial para as línguas, inclusive o turco, o Persa, o sânscrito, o hebreu e o árabe, Al-Biruni despertou a atenção do governante Mahmud, cujo território incluía o norte da Índia. Mahmud muitas vezes levava Al-Biruni  nas suas campanhas pela Índia, e ele aproveitava para  estudar a língua, a história e a ciência dos lugares por onde passava. Um de seus livros mais famosos, Kitab al-Hind (Livro da Índia), foi o resultado dessas viagens. Foi um estudo tão completo sobre a Índia que trabalhos posteriores sobre a história hindu tiveram como base esse livro de Al-Biruni.

Além de sua obra sobre cultura e história, Al-Biruni foi também um cientista notável. No campo da astronomia, ele foi pioneiro na noção de que a velocidade da luz era muito maior do que a velocidade do som, observou os eclipses solar e lunar e aceitou, muito antes do que qualquer outro, a teoria de que a terra girava em torno de um eixo. Na geografia, calculou a latitude e longitude correctas de muitos lugares e questionou a visão ptolemaica europeia, de que a África se estendia infinitamente para o sul; Al-Biruni insistia que ela era circundada pela água. No seu trabalho sobre a Índia, Al-Biruni apresentou a ideia controversa – mais tarde provada correcta de que o vale do Hindu tinha sido uma bacia de mar. Também desenvolveu uma teoria para o cálculo da Quibla – a direcção de Meca de qualquer lugar em que se esteja – tão importante para os muçulmanos, a fim de praticarem suas orações voltados para aquela cidade. Na física, ele determinou, de forma muito precisa, as densidades de 18 pedras preciosas e metais. Foi o primeiro a estabelecer a trigonometria como um ramo distinto da matemática. Por causa da sua obra em diversos campos do pensamento, Al-Biruni é considerado um dos maiores cientistas de todos os tempos.

2. Ibn Khaldoun

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'Abd al-Rahman Ibn Khaldoun, é considerado o fundador da moderna sociologia e filosofia da história. Nasceu em Tunis, onde seus pais mais tarde morreram vitimados pela peste negra. Ibn Khaldoun passou a maior parte de sua vida no norte da África e Espanha. Teve uma vida política activa, trabalhando para inúmeras cortes reais norte-africanas, onde foi capaz de observar a dinâmica política e social da vida cortesã. Essas observações mais tarde influenciaram a sua obra sobre a história das civilizações.

O seu livro mais famoso foi o Muqaddimah ("Introdução" ou Prolegômenos), que foi o primeiro volume do que pretendia ser uma obra sobre a história mundial. No Muqaddimah, Ibn Khaldoun expôs a sua filosofia de história, e as suas opiniões sobre como o material histórico devia ser analisado e apresentado. Concluiu que as civilizações surgem e desaparecem, como num ciclo, como resultado de factores psicológicos, económicos, ambientais, sociais e políticos. A sua atenção voltada para aspectos mais do que simplesmente políticos foi revolucionária, porque ele procurou examinar também os factores religiosos, sociais e económicos para explicar a história mundial. Ele submeteu o seu estudo da história à análise objectiva e científica, e lamentava o cunho eminentemente tendencioso da história escrita antes dele.

Além do Muqaddimah, Ibn Khaldoun escreveu sobre os árabes, judeus, gregos, romanos, persas, egípcios e berberes, e sobre os governantes europeus e muçulmanos. Escreveu a sua autobiografia, tornando-se um líder nessa nova forma literária. A sua atenção para os factores sociais na ascensão e queda das civilizações, ajudou a criar a ciência do desenvolvimento social, conhecida, hoje, como  sociologia. A sua influência nos campos    da sociologia e da história foi enorme, principalmente porque a sua ênfase na razão e racionalismo para o julgamento histórico deu um tom não religioso  ao seu trabalho.

3. Ibn Hisham; 4. Ibn Ishaq; 5.  Ibn Miskawayh; 6. Al-Tabari; 7. Abu Hamid al-Ghazali; 8. Al-Suyuti;  9. Ibn Qutaybah,

Medicina

1. Ibn Sina (Avicena)

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Abu Ali al-Husayn Ibn Abdullah Ibn Sina, conhecido no ocidente como Avicena, nasceu em Bucara, em 980. Este físico persa tornou-se no mais famoso e influente de todos os cientistas e filósofos muçulmanos. Ele conquistou o apreço da família real por tratar os reis de Bucara e Hamadan, que tinham contraído doenças que os clínicos da época não diagnosticaram nem curaram. Embora treinado para ser um físico, Ibn Sina trouxe importantes contribuições para a filosofia, matemática, química e astronomia. A sua enciclopédia filosófica, Kitab al-Shifa ("O Livro da Cura"), aproximou as filosofias aristotélicas e platónicas da teologia islâmica, dividindo o campo do conhecimento em conhecimento teórico (física, matemática e metafísica) e conhecimento prático (ética, economia e política).

O seu legado mais permanente, no entanto, foi no campo da medicina .O seu livro mais famoso, Al-Qanum fi al-Tibb ("O Cânone da Medicina"), ainda é um dos mais importantes livros de medicina jamais escrito, e por 600 anos, serviu como referência médica em toda a Europa. Entre as contribuições do Cânone para a moderna medicina, estavam: o reconhecimento de que a tuberculose era contagiosa; as doenças podiam se difundir através da água e do solo; a saúde emocional influencia  a saúde física. Ibn Sina também foi o primeiro clínico a descrever a meningite, as partes do olho e as válvulas cardíacas, e descobriu que os nervos eram responsáveis pela dor muscular. Também deu o seu contributo para os avanços na anatomia, ginecologia e pediatria. O Cânone foi traduzido para o latim no século XII e rapidamente tornou-se a referência médica predominante nas escolas de medicina europeia até o século XVII. Ainda é utilizado hoje nas escolas de medicina islâmicas do Paquistão e da Índia. Nenhum outro livro sobre medicina foi tão aclamado por tanto tempo. Quando o original árabe foi publicado em Roma, em 1593, tornou-se um dos primeiros livros árabes a ser produzido de acordo com a nova invenção do prelo.   A Faculdade de Medicina da Universidade de Paris tem na sua entrada principal um retrato de Ibn Sina.

2. Abu al-Fath al-Chuzini Ibn Zuhr; 3. 'Abd al-Malik Abu Marwun Ibn Zuhr;  4.  Abu al-Qasim; 5.   Ibn Tufayl al-Razi; 6. Ibn al-Haytham.

Matemática

1. Al-Khwarizmi

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Abu Ja'far Muhammad Ibn Musa Al-Khwarizmi nasceu em Khwarizm, actual Uzbequistão. Ele viveu em Bagdad, sob o patrocínio de Al-Mamun, o califa abássida, entre 813 e 833, durante o período conhecido como a "Idade de Ouro" da ciência islâmica.   Um matemático célebre do seu tempo, tanto assim que séculos mais tarde, Al-Khwarizmi é melhor conhecido por ter introduzido o conceito de álgebra na matemática. O título de seu livro mais famoso, Kitab al-Jabr wa al-Muqabilah ("O Livro da Integração e da Equação"), na verdade, apresenta a origem da palavra álgebra. No curso de sua obra, Al-Khwarizmi introduziu o uso dos numerais indo-a rábicos que se tornaram conhecidos como algoritmos, um derivado latino de seu nome. Ele também começou usando o zero, que abriria o caminho para o desenvolvimento do sistema decimal.

A obra de Al-Khwarizmi teve uma tremenda influência sobre a matemática, não só no mundo islâmico mas também em outras culturas. Muitos de seus livros foram traduzidos para o latim no século XII e Kitab Al-Jabr wa al-Muqabilah foi a principal referência matemática nas universidades europeias até o século XVI. Além disso, Al-Khwarizmi produziu trabalhos sobre astronomia e geografia, muitos dos quais foram traduzidos para línguas europeias e para o chinês. Em 830, uma equipe de geógrafos, trabalhando sob sua chefia, produziu o primeiro mapa do mundo conhecido.   Os méritos científicos de Al-Khwarizmi continuam a produzir impactos nos dias de hoje.

2. Omar Kayan

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Nascido Ghiyath al-Din Abul Fatah Umar Ibn Ibrahim al-Khayyam, em 1044, em Nishapur, uma cidade persa, Omar Kahyan foi também um famoso matemático, astrónomo, filósofo e poeta. Passou a maior parte de sua vida nos centros intelectuais persas, como Samarcanda e Bucara, e gozou da simpatia dos sultões seljúcidas que governavam a região.

As contribuições científicas mais conhecidas de Kayan foram na álgebra e na astronomia. A sua classificação das equações algébricas foi fundamental para o progresso da álgebra como uma ciência, da mesma forma que a sua obra sobre a teoria das linhas paralelas foi importante para a geometria. Na astronomia, o maior legado de Kayan é um calendário solar fantasticamente preciso, que ele desenvolveu quando o sultão seljúcidas Malik Shah Jalal al-Din, solicitou um novo programa para a colecta de impostos. O calendário de Kayan era muito mais preciso do que o calendário gregoriano, usado actualmente na maior parte do mundo: o dele apresenta um erro de um dia em 3770 anos, enquanto que o gregoriano tem um erro de um dia em 3330 anos. Kayan mediu a extensão de um ano em 365,24219858156 dias.   Embora o calendário tenha sido abolido depois da morte de Malik Shah, em 1092, no entanto, ele ainda é utilizado em algumas partes do Irão e do Afeganistão.

Omar Kayan também foi poeta, e é assim que ele é melhor conhecido no ocidente, em detrimento de sua obra científica. A sua fama como poeta existe desde 1839, com a tradução para o inglês de seu livro Rubayat. Tornou-se um clássico da literatura mundial e é responsável pela influência que teve no conceito europeu sobre a poesia e literatura persas. Tendo em vista que na sua época ele foi mais conhecido por sua obra científica, duvidava-se que Kayan fosse realmente o autor de Rubayat. Mas, uma análise rigorosa efectuada por muitos estudiosos comprovou que ele é mesmo o autor da obra.

3. Kushyar Ibn Labban, 4. Ibn Turk, 5. Abda al-Hamid,   6. Ibn Qurra, 7. Thabit, 8. Al- Kashi, 9. Nasir al-Din al-Tusi, 10. Abu al-Wafa', 11. Ibn Yunus, 12. Al-Battani, 13. Ibn al-Haytham (Alhazen).

Astronomia

1. Ibn al-Muqtafi, 2. Abu al-Fadl Ja'far, 3. Nasir al-Din al-Tusi, 4. Muhammad ibn Musa Al-Khwarizmi, 5. Abu al-Wafa', 6.   Ibn al-Shatir; 7. Ibn Yunus, 8. Omar Khayyam, 9. Al-Battani, 10. Abu al-Abbas al – Farghani,

Geografia

Abu al-Abbas al – Farghani,

Filosofia

1. Al-Farabi

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Abu'l-Nasr Al-Farabi, um muçulmano de origem persa, que estudou em Bagdad, foi considerado   no seu tempo como o maior filósofo desde Aristóteles. Na verdade, ele era  conhecido como o "Segundo Mestre", sendo Aristóteles o primeiro. Ele era fluente em diversas línguas e através das suas traduções de antigas obras gregas, ele foi um dos primeiros filósofos muçulmanos a introduzir a filosofia grega no mundo islâmico. Escreveu sobre diversos assuntos, inclusive lógica, sociologia, ciência política, medicina e música, mas o seu legado mais importante foi a sua obra sobre filosofia.

Ao escrever os seus comentários sobre a obra dos antigos gregos, Al-Farabi procurou reconciliar o pensamentos  aristotélico e o platónico com a teologia islâmica. Ao mesmo tempo, no entanto, ele tornou-se o primeiro filósofo muçulmano a separar filosofia da teologia, influenciando estudiosos de muitas religiões que o seguiam. Ele concluiu que a razão humana, o instrumento da filosofia, era superior à revelação, o instrumento da religião, resultando numa vantagem da filosofia sobre a religião. Ele afirmava que a filosofia era baseada na percepção intelectual, enquanto que a religião baseava-se na imaginação. Assim, ele atribuía características solenes ao filósofo e defendia a presença de um filósofo na chefia do estado. Ele achava que as revoltas políticas no mundo islâmico deviam-se ao fato de o estado não ser administrado por filósofos, cujos poderes superiores da razão e do intelecto determinavam a liderança ideal.

A obra de Al-Farabi influenciou enormemente os filósofos islâmicos que se seguiram a ele, principalmente Ibn Sina e Ibn Rushd. Também serviu de palco para debates acalorados entre os representantes da filosofia e da teologia, na medida em que os pensadores muçulmanos procuravam harmonizar as disparidades entre esses dois campos.

2. Al-Ghazali

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Abu Hamid al-Ghazali nasceu em 1058, na província persa do Corassã. Foi estudante de teologia islâmica em instituições prestigiadas de Nishapur e Bagdad, e tornou-se professor em religião e filosofia na Universidade de Nizamiyah, em Bagdad, uma das mais importantes instituições islâmicas daquela época. Em 1095, no entanto, depois de um período de confusão interior a respeito de sua fé, Al-Ghazali deixou a universidade, abandonou os seus bens materiais e tornou-se um ascético errante. Devotou-se ao sufismo, o ramo místico do Islão que se ocupa do conhecimento directo de Deus, e viajou a Meca, Síria e Jerusalém, antes de voltar para Nishapur, para escrever.

A sua obra a respeito da relação entre a filosofia e a religião contribuiu para uma discussão no mundo islâmico sobre como harmonizar esses dois campos. Ao adoptar os princípios aristotélicos do humanismo dos antigos gregos,   filósofos muçulmanos, como Al-Farabi e Ibn Sina, entraram em conflito com os teólogos que afirmavam que a filosofia aristotélica contradizia a doutrina islâmica. Al-Ghazali defendia firmemente a religião contra o ataque dos filósofos e assim fazendo ajudou a construir uma ponte entre essas duas correntes de pensamento. Ele também procurou contemporizar no que ele acreditava ser excessivo no sufismo e trazê-lo para uma linha mais compatível com o Islão ortodoxo. Continuou a salientar a importância do sufismo como um caminho para a verdade absoluta, mas procurou redefinir sua imagem extremista como uma desobediência aos ensinamentos básicos do Islão.

Al-Ghazali escreveu muitos livros a respeito desses assuntos, que ficaram famosos, um dos quais inspirou o filósofo Ibn Rushd a responder com um livro de sua autoria, depois da morte de Al-Ghazali. Em Tuhafat al-Falasifa   ("A Incoerência dos Filósofos"), Al-Ghazali expôs alguns argumentos a respeito do por quê algumas vezes a filosofia soava herética ao Islão. Ele, particularmente, discordava dos argumentos apresentados pelos filósofos de influência grega, que questionavam a imortalidade da alma, a ressurreição do corpo, a recompensa e a punição depois da morte, o conhecimento de Deus de todas as coisas e a eternidade do mundo. Al-Ghazali aceitava o facto de que os filósofos questionassem alguns princípios da fé islâmica, mas repudiava-os por não provarem suas posições. Ao mesmo tempo, Al-Ghazali foi muito cuidadoso em não refutar tudo que os filósofos dissessem. Ele não rejeitou as descobertas dos cientistas-filósofos das ciências naturais, e admitia que muitos avanços científicos haviam sido feitos.   Também repudiou os muçulmanos que, em nome da religião, rejeitavam toda ciência que estivesse ligada aos filósofos, afirmando que essa abordagem somente levaria os filósofos a concluírem que o Islão baseava-se na ignorância.  Al-Ghazali defendia a aceitação das conquistas científicas válidas, e desafiava os filósofos a provarem suas objecções em relação à teologia islâmica. Ibn Rushd, um filósofo aristotélico e racionalista, respondeu ao livro de Al-Ghazali com um de sua autoria, Tuhafut al-Tuhafut ("A Incoerência da Incoerência"), no qual ele reproduziu e comentou seus argumentos, página por página.

Al-Ghazali é considerado um dos maiores teólogos do Islão. Os seus argumentos influenciaram sábios religiosos judeus e cristãos e até Santo Tomás de Aquino usou muito dos temas de Al-Ghazali para fortalecer o cristianismo no Ocidente.

3. Ibn Rushd (Averróes)

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Abu'l Waleed Muhammad Ibn Ahmad Ibn Muhammad Ibn Rushd nasceu em Córdoba, em 1126, então parte da Espanha Muçulmana. Foi um dos maiores pensadores e cientistas do século XII. Conhecido no ocidente pelo seu nome latino, Averróes, Ibn Rushd influenciou a cultura do mundo islâmico e da Europa por séculos, e é melhor conhecido no Ocidente pelos seus comentários sobre a filosofia aristotélica.

Como muitos sábios famosos antes dele, Ibn Rushd gozava da simpatia da corte real e passou a sua vida entre a classe dirigente de Marraquexe, Marrocos e das cidades espanholas de Sevilha e Córdoba. Embora as suas opiniões sobre religião e filosofia ocasionalmente aborrecessem seus padrinhos, Ibn Rushd foi capaz de continuar os seus estudos nesse campo, graças a sua amizade com os governantes muçulmanos. Ele foi fortemente influenciado pela filosofia grega e escreveu muitos comentários a respeito das obras de Aristóteles. Ele usava o racionalismo grego para questionar diversos princípios da teologia islâmica, provocando a crítica de muitos religiosos muçulmanos eruditos, como Al-Ghazali, por exemplo. Apesar de sua defesa veemente da filosofia, Ibn Rushd era um muçulmano devotado que também tentou integrar a visão política de Platão ao moderno estado islâmico, harmonizando o pensamento grego e as tradições islâmicas.

Enquanto o mundo islâmico se dividia no apoio à obra filosófica de Ibn Rushd, ele ficou muito popular na Europa. Os seus comentários sobre a obra de Aristóteles e Platão foram traduzidos para o latim, inglês, alemão e hebreu, e depois foram incluídos nas edições sobre as obras dos filósofos gregos. A ideia de que ele foi mais popular no Ocidente do que no mundo islâmico, foi também baseada no facto de que poucos de seus escritos tivessem sobrevivido na língua original, o árabe.

Além de filósofo, Ibn Rushd foi médico e astrónomo. O seu famoso livro sobre medicina, Kitab al Kulyat fi al-Tibb, discutiu vários diagnósticos e curas para as doenças, assim como a sua prevenção. Ele foi o físico pessoal de muitos dos califas almorávidas em Espanha e no Magreb. Na astronomia, escreveu tratados sobre o movimento das esferas.

4. Abu Yusuf Ya'qub Kindi, 5. Ibn Bajjah, 6. Abu 'Ali al-Husayn Ibn Sina (Avicena), 7.  Ibn Tufayl, 8. Nasir al-Din al-Tusi, 9. Ibn Miskawayh.

Teologia

1. Al-Tabari, 2. Al-Zamakhshari, 3. Al-Suyuti, 4. Ibn Qutaybah,

Alquimia

1. Abu Musa Jabir ibn Hayyan, 2. Al-Razi,

FONTES: ISLAM LEARNING

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